28/03/2019 17h05 - Atualizado em 28/03/2019 17h17

Capixaba supera drama familiar para virar medalhista nas piscinas

Iniciar uma atividade física, surpreender, vencer o medo, superar desafios, conquistar medalhas, treinar, planejar o futuro, se descobrir e, claro, sonhar. O número tão surpreendente de ações pode remeter a diversos atletas, mas é pouco provável que a maioria deles tenha feito tantas ações em um período tão curto como a nadadora Nathália Torezani, última homenageada na série de reportagens que a Secretaria de Estado de Esportes e Lazer (Sesport) realiza para celebrar o Mês da Mulher.

Paraplégica desde 2001, Nathália descobriu a natação em 2017, depois de passar por um momento familiar delicado. O contato inicial com a piscina e as primeiras braçadas, no entanto, desencadearam o início de sua (rápida e surpreendente) metamorfose no esporte.

O início

“Minha mãe faleceu no início de 2017 e era ela que me ajudava com tudo que eu precisava. Pouco tempo depois, decidi fazer natação e comecei a nadar no Clube Álvares Cabral, em Vitória, no começo de março. Aí, três semanas após começar o treinamento com a equipe de iniciação esportiva, o treinador do alto rendimento quis me avaliar melhor e, a partir daí, comecei a treinar com a equipe dele”, explicou a nadadora.

O início tardio, aos 38 anos, não impediu a nadadora de conquistar bons resultados já em suas primeiras competições. Na primeira seletiva que disputou no Rio de Janeiro, a paratleta ganhou duas medalhas na Classe S6, uma de prata nos 100m livre e uma de bronze nos 50m livre.

“Os resultados foram surpreendentes. Quando fui para a competição, que envolve atletas dos Espírito Santo, Rio de Janeiro e os estados do Sul do Brasil, meu maior objetivo era não afundar na piscina durante a prova dos 100 metros livre e acabei saindo de lá com duas medalhas”, ressaltou.

O meio

As conquistas animaram Nathália a treinar ainda mais forte e, poucos meses depois, outros bons resultados vieram, tanto nas provas individuais quanto nas coletivas – em que ela participa do revezamento 4 x 50 m livre junto dos nadadores Marco Aurélio Quaresma, Patrícia Pereira e Waldir Alvarenga Júnior.

“Nos últimos dois anos nós ganhamos quatro medalhas de ouro no revezamento e, ano passado, conquistei uma medalha de bronze no individual da minha classe. Fiquei muito surpresa com o meu desempenho, não esperava conquistar uma medalha na etapa nacional”, comentou a nadadora.

Os treinos, a rotina e o convívio com os demais atletas vão moldando a “nova atleta” em seus planos para o futuro. Para 2019, ela prevê um novo salto na sua curta carreira. “Nas competições eu sempre sofro por ser ansiosa. Geralmente, meus tempos nos treinos são melhores que nas provas oficiais, muito por conta da ansiedade. Então, meu maior sonho para este ano é conseguir fazer os tempos que faço nos treinos nas provas que disputo”, revelou Nathália.

Passar por tantas mudanças em um curto período ligado ao esporte de alto rendimento ainda mexem com a nadadora, principalmente no lado pessoal. “Me surpreendeu demais o período curto de adaptação que eu tive até chegar no alto rendimento, me surpreendeu muito também o fato de alguém enxergar em mim um talento que nem eu sabia que podia ter. Foi importante demais porque me trouxe confiança, me fez sair da minha zona de conforto. Além disso, a natação me trouxe, em termos pessoais, um aprendizado muito grande porque, querendo ou não, todo mundo tem algum tipo de deficiência, então você tira tudo isso como uma lição de vida, você vê pessoas com dificuldades maiores que a sua e elas estão ali, se dedicando à natação”.

O fim

A transformação pessoal em atleta de ponta está perto de seu estágio final. Com isso, a facilidade de saber aonde quer chegar também já fica mais claro para a própria Nathália, que almeja com a ajuda do treinador, Leonardo Miglinas, sonhar ainda mais alto.

“Eu aprendo muito com o meu treinador. Faça chuva ou faça sol, ele está ali, treinando a gente de segunda a sábado, sempre ajudando no que é preciso. Recentemente, ele me falou que eu só atingi uns 30 a 40% do meu potencial e isso me motiva a querer fazer ainda mais. Atualmente, tem três atletas que estão num nível acima do meu no Brasil e eu quero começar a incomodar elas cada vez mais. Para finalizar, quero muito participar de uma competição internacional, de um mundial e de uma paralimpíada. É um sonho alto, mas a gente treina para isso. Espero que isso seja um processo natural”, concluiu.

 

Texto: Denys Lobo

 

Informação à imprensa

Assessoria de Comunicação da Sesport

Denys Lobo

(27) 3636-7027 / (27) 99802-3645

Rodolfo Mageste

(27) 3636-7027 / (27) 99309-9053

assessoria@sesport.es.gov.br

Facebook: Sesport-ES

Instagram: @sesportesoficial

2015 / Desenvolvido pelo PRODEST utilizando o software livre Orchard